Araras, 16 de fevereiro de 2019

Araras já teve cinco médicos cubanos atendendo no município, entre 2014 e 2016, dentro do programa federal Mais Médicos. E, no ano passado, como... Mais Médicos: Prefeitura pediu mais três profissionais, mas não foi atendida
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Arquivo

Yadira Zaldivar, uma das cubanas que em 2014 chegou a Araras e passou a atender no PSF Edmundo Ulson, no Parque Tiradentes
(Foto: Arquivo/Tribuna)

Araras já teve cinco médicos cubanos atendendo no município, entre 2014 e 2016, dentro do programa federal Mais Médicos. E, no ano passado, como o contrato dos profissionais já tinha terminado ou mesmo alguns tinham deixado a cidade, a Prefeitura fez formalmente a solicitação de mais três profissionais ao Ministério da Saúde que, no entanto, não atendeu ao pedido da Secretaria Municipal de Saúde local. As informações foram confirmadas pela Secom, a pedido da Tribuna do Povo.

A solicitação de novos profissionais não especificava nacionalidade – ou seja, nem pedia nem vetava estrangeiros, incluindo cubanos. E como o Ministério não atendeu o pedido, a Prefeitura informa que optou por fazer contratações próprias, fora do âmbito do programa Mais Médicos.

O questionamento se deu no momento em que os mais de oito mil médicos cubanos que vinham atuando no país estão retornando a Cuba, depois que o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) avisou que não aceitaria mais as regras do país caribenho para manter os profissionais aqui – recebendo 30% do salário e sem direito a trazer suas famílias.

O governo cubano imediatamente após as declarações decidiu pelo regresso dos médicos que, na grande maioria, atendiam em regiões remotas do Brasil, mas não só: havia cubanos respondendo por unidades do PSF (Programa de Saúde da Família) nas periferias de muitas regiões brasileiras, em cidades como Araras, Limeira, Piracicaba, Leme, Campinas, entre outras. Algumas cidades, inclusive, segundo repercussão ampla na imprensa nacional, estão perdendo de 50% a 75% dos médicos que possuíam, devido à saída dos cubanos, maioria entre os estrangeiros e profissionais que aderiram ao Mais Médicos.

Em Araras
Em maio de 2014 cinco profissionais de Cuba chegavam a Araras – 1 médico e quatro médicas. Eles foram alocados em unidades de PSF das regiões leste e rural. “Os cubanos atendiam nos PSFs Edmundo Ulson, no Parque Tiradentes, Orlando Zaniboni, também no mesmo bairro, Vital Pacífico Homem, no José Ometto 4 e ainda na zona rural do município”, informou a Secom.

Na época a Secretaria Municipal de Saúde justificou a contratação dos cubanos como saída para preencher vagas que não despertavam o interesse de médicos brasileiros. Os cubanos, segundo a visão da época, fixariam-se nos PSFs para onde foram mandados, desenvolvendo laços com a comunidade no entorno, um dos pilares do programa de saúde familiar.

Logo depois do início do atendimento um deles foi embora, restando quatro cubanos atuando em Araras. Uma das médicas foi embora sem nem mesmo avisar a Prefeitura e outra comunicou sua saída formalmente. Ainda assim, restaram dois em atuação até o final do prazo previsto.

Novo edital não inclui Araras
Hoje o Governo Federal publicou edital visando a substituição dos cubanos por médicos brasileiros, mas o documento não determina nenhuma vaga para Araras. Limeira, diferentemente, conta com 38 vagas.  Piracicaba tem 22 vagas; Leme e Cordeirópolis tem 2/cada; e Conchal 1. Pirassununga, nenhuma, para exemplificar alguns municípios da região.

Segundo a Prefeitura, os PSFs que tinham contrato com cubanos, atualmente estão preenchidos; e que a cidade não consta do novo edital do Ministério da Saúde porque já não vinha mais contando com profissionais do programa federal.

 

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Ana Maria Devides

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