Uma sugestão ao próximo prefeito de Araras

Tribuna acaba de concluir um ciclo de captação de entrevistas com os quatro candidatos a prefeito de Araras. Um a um, em dias marcados por sorteio, Nelson Brambilla (PT), Paulinho Nascimento (PTC), Pedrinho Eliseu (PSDB) e Walter de Oliveira (PPS) responderam, com paciência e disposição, a todas as perguntas feitas pelo jornal sobre seus planos de governo.
Ficou claro que quase todos os candidatos têm suas propostas para “integrar” a Prefeitura. E integrar, nesse caso, é para eles informatizar a gestão pública.
Entretanto, além da importantíssima integração digital, que se vier virá já bem tarde para a Prefeitura de Araras, há uma outra integração, aquela que por hora ninguém citou. E que deveria ser conceitual, estratégica e operacional, entre as várias secretarias municipais.

A tradição entre essas secretarias é de que cada uma faça o seu, da melhor forma que podem, com maior ou menor grau de êxito e diferentes níveis de coerência para com as premissas do governo. Pouco se vê de sinergia entre muitas secretarias como Saúde, Educação, Promoção Social, Segurança, etc. E isso reduz ainda mais as já restritas chances de diversas ações darem certo.

Exemplo prático: uma família carente de um bairro periférico, na qual a mãe tem diabetes, hipertensão, obesidade e, não raro, depressão; o pai, com pouca ou nenhuma qualificação profissional, vive sub ou desempregado, também deprimido e afundado no alcoolismo ou mesmo uso de drogas. Um filho jovem, que já deixou de estudar, flerta com o álcool ou entorpecentes, e faz sexo com namoradinhas. Uma filha adolescente que, igualmente com sérios déficits de escolaridade e qualificação, já também tem vida sexual ativa.
Nesse quadro infelizmente nada raro, a mãe em geral vai ficando cada vez mais doente, o pai cada vez mais inutilizado para chefiar a família, os filhos cada vez mais sem rumo, vulneráveis a dramas como gravidez precoce, doenças sexualmente transmissíveis, vício em drogas, contato com a violência. A família precisa de ajuda do poder público. Mas uma ajuda articulada, integrada e “esperta”, não intervenções desconexas e feitas quando e como cada um pode, ou pensa dever realizá-las.
Se essa família recebe a visita de um agente de saúde do PSF ali da esquina e ele é bem treinado, em algum tempo de avaliação, ele apura o agravamento da saúde da mãe, o processo de auto destruição do pai, a falta de perspectiva do filho e a vida arriscada levada pela filha. Seu relato não deveria abastecer somente sistemas do próprio PSF e da Saúde, mas sim ser compartilhados com a Educação, a Promoção Social, a Segurança e o Desenvolvimento. Todos, em algum momento – agente de saúde, médico, professor, assistente social e quem sabe, até o guarda municipal acabam cruzando o destino dessa família. Fora entidades, pastorais, grupos voluntários, etc…
Se esses atores trocassem informações precisas e ágeis, poderiam “atacar” de forma conjunta os problemas da família, com saúde curativa e de prevenção, qualificação profissional, assistência psicológica, educação sexual… Isso sem dúvida renderia muitos e melhores resultados, além, é claro, de votos. Fica a sugestão.

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Por em 11 de agosto de 2012. Arquivado em Editorial. Você pode acompanhar quaisquer respostas a esta notícia através do RSS 2.0. Both comments and pings are currently closed.

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