Uma das diversas indústrias de embalagens plásticas que funcionam em Araras teve uma interessante iniciativa na semana passada, e que pode render bons frutos se tiver continuidade. A AMG Plásticos recebeu alguns estudantes para mostrar a eles todo o seu processo fabril e também seu setor de administração, como forma de despertar o interesse da meninada pelo segmento específico e pelo mercado de trabalho em geral.
A ideia é boa e parece perfeitamente sintonizada com uma das principais necessidades apontadas por gestores de recursos humanos, e consultores do universo corporativo. Muitos são unânimes ao afirmar que os jovens de hoje, principalmente os que têm a sorte de ter pais que lhes dão muito mais conforto do que eles próprios tiveram, estão recebendo um grande investimento em educação, mas por outro lado, desenvolvendo uma forte carência em termos de iniciativa.
Alguém pode perguntar: mas como? Isso significa que as famílias estão criando filhos cultos e preguiçosos? De forma alguma. Número crescente de famílias investem muito na formação acadêmica de seus filhos porque acreditam ser o melhor preparo para terem sucesso profissional. E isso nada tem a ver com incentivar a ociosidade nociva que mina o futuro de qualquer um.
O que muitos especialistas vêm comprovando, na prática, é que ao mesmo tempo em que estão tendo mais oportunidade de estudar, a meninada vem sendo poupada de outras responsabilidades ligadas à vida prática e à busca por conquistas de objetivos extra-muros da escola.
Por uma série de razões, muitas ligadas ao medo que muitos pais têm de serem injustos, mesquinhos ou rigorosos demais com os filhos, há muitos jovens que crescem superprotegidos das experiências práticas, efetivas, afastados de situações que exijam que coloquem em prática o que aprendem na escola, em termos de conhecimento.
Situações assim produzem garotos e garotas que se vestem muito bem, têm celulares caros e computadores super potentes, falam até mais que dois idiomas estrangeiros, mas nunca entraram num banco para resolver um problema de conta-corrente, nunca foram sozinhos solucionar uma pendência de consumo, jamais participaram de um movimento coletivo para resolver um problema do bairro, e por aí vai. Não conhecem o mundo na prática e muito menos a realidade do mundo do trabalho.
Para piorar, muitos jovens com bem mais anos de estudo do que seus pais, têm no entanto muita dificuldade para respeitar regras e hierarquias, aguardar o tempo de maturação de importantes processos, levar até o fim projetos mesmo diante de dificuldades e – gravíssimo – não sabem aceitar nãos. Nesse contexto, imaginam o mundo do trabalho como uma extensão de suas vidas em casa, onde todos lhes agradam, querem sua felicidade e jamais vão lhe decepcionar. Por isso os consultores corporativos apontam tantos e tantos jovens muito cultos em termos acadêmicos desistindo de estágios promissores, de programas de trainee cobiçadíssimos…porque não suportaram “enquadramentos” que jamais lhes foram apresentados em casa.
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