Araras, 24 de maio de 2017

Capítulo I             Naquela época, governava nossa cidade como prefeito municipal o esportista e professor Jair Della Coletta, que dizia: “Walter, gostaria que Araras...
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Capítulo I

            Naquela época, governava nossa cidade como prefeito municipal o esportista e professor Jair Della Coletta, que dizia: “Walter, gostaria que Araras e sua equipe esportiva promovessem e participassem de um torneio de futebol regional, em homenagem ao esportista Alcides Freitas, o Canela”. E eu respondi: “Mas Jair, quem é Alcides Freiras?”

            Como diz o ditado: mineiro trabalha em silêncio. É justamente isso que aconteceu com o nosso homenageado de hoje, Alcides Freitas, mais conhecido por Canela, nascido em 15 de dezembro de 1929, em Conquista/MG. Muito novo veio para Santa Rita do Passa Quatro, juntamente com seus pais Zulmiro Freitas e Genoefa Tomain de Freitas, a procura de um novo caminho para sua vida. Desde garoto tornou-se alfaiate, muito requisitado em sua cidade.

            Com a fundação o Galo da Comarca, clube de seu bairro, em Santa Rita do Passa Quatro, Canela também se entusiasmou e começou a frequentar todos os domingos os jogos, e a partir de 1958 passou ele a dirigir o clube. Suas tarefas eram, sem dúvida, de grande valor, pois ele propriamente fazia quase tudo sozinho (diretor, técnico, roupeiro, massagista), mas fazia tudo sorrindo, nunca reclamando. Em 1954 casou-se com Dayse de Freitas, que era natural de Santa Rita, e dessa união vieram dois filhos.

            A vida de Canela era sua alfaiataria, seu clube e seu lar. Aos domingos deixava de ficar com sua família para ir acompanhar o Galo da Comarca. Mas sua vivência no futebol não foi somente o Galo. Em 1968 foi convidado a dirigir o Clube dos Funcionários, em Santa Rita. Aceitando, levou consigo uma boa parte de jogadores que estavam com ele no Galo, e neste ano as suas mãos foram quebrando um velho tabu no futebol santarritense, quando o Clube dos Funcionários venceu a poderosa força da EE Cinelândia.

            Em 1964 foi convidado e aceitou dirigir a Associação Atlética Santarritense, e conseguiu levar o time a vice-campeão do Setor de Ribeirão Preto.

            Era diretor da Comissão Municipal de Esporte, em 1972 formava um forte time e conseguiu o título de Campeão Varzeano, em duas categorias. Em 1973, disputando com o Independente de Pirassununga as finais, sagrava-se campeão da categoria Dente de Leite.

            Um “defeito” ele tinha: ser bom. Era tão benquisto que, quando algum garoto ia jogar em outra cidade e os pais o repudiavam, logo desvaneciam e deixavam o filho ir, porque sabiam que iam com o Canela. Em 1974, o Galo foi convidado para jogar contra o CA Jabaquara, de Santos, quando este clube estava completando 60 anos de existência, e aceitou. Era o dia 17 de novembro de 1974, esse era o último dia de Canela no futebol, e neste dia ele ia ver a última vitória do seu time e receber seu último troféu.

            Na volta de Santos, após toda alegria, tragicamente ele falecia na Via Anhanguera, e com ele os dois troféus recebidos em Santos. E junto falecia sua esposa, essa mulher que nunca colocou obstáculos para que o Canela deixasse o lar para ir atrás de futebol; essa mulher que nunca havia saído com seu marido para acompanhar futebol, sendo a primeira vez e também a última. Canela, em súmula, foi um símbolo de esportista!

(continua na próxima edição…)

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Walter Gambini

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