Araras, 25 de maio de 2017

“Menos é mais”. (Robert Browning)   Às vezes me dá na telha – só e quando se me dá – percorrer a velha estrada...
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“Menos é mais”. (Robert Browning)

 

Às vezes me dá na telha

– só e quando se me dá –

percorrer a velha estrada

em busca de uma centelha

nascida de chama crispada,

fogo fagulha fermento

agulha jogo excremento,

potro correndo em parelha

rédea bridão coalheira,

um penar do pensamento

em seu flanar de alma penada.

Às vezes me penso outrora

às turras com esse agora

tempo ponte inacabada.

 

Às vezes me recomponho

– só e quando me adenso –

e parto pra mais revezes

bem mais graves quando penso,

mais suaves outras vezes.

Vozes, vazas, sangradouro,

vagando de sonho em sonho

por pirraça e desaforo,

pescoço rente no cepo,

lua crescente, namoro,

vagas lembranças, socorro.

 

Por descrença às vezes creio,

por receio às vezes vivo,

de viver às vezes morro.

 

Às vezes me dá na telha

– só e quando me alucino –

riscar um belo horizonte

no meu céu de menino.

Tralha trilha trela estrela,

o tempo, esse cruel assassino.

Por desavença, saudade;

constância por pura maldade,

querência por desatino.

Às vezes me ouso ontem

num pouso de antigamente.

Por querer, de vez em quando;

quando não, por acidente.

Só e quando me menino,

às vezes e de repente.

Me recompenso e só quando,

nessas ciladas fatais,

a caráter e contrafeito

arranco de dentro do peito

um menos que é muito mais:

ontem, talvez, quem pudera;

amanhã certamente jamais.

 

Bom dia!

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Milton Triano