Araras, 19 de setembro de 2017

“E tudo o que é belo um dia se acaba seja pelo acaso ou por sua natureza”. (William Shakespeare)   Vê, o dia amanhece...
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“E tudo o que é belo um dia se acaba seja pelo acaso ou por sua natureza”. (William Shakespeare)

 

Vê, o dia amanhece

nas sobras de um desatino:

o tempo que enseja,

um clarão que fenece,

e no feixe de luz adormece

zombando desse destino

alcatifado na dor

de certa sabedoria.

Nas asas da memória e

seus postais,

no rubro de bocas

cuspindo ais, ele vem.

Na transmutação convincente,

e, como não, no horror,

— em verdade um claustrófobo temor —

desmaiado em fantasia,

o dia. Nada além do dia.

 

Vê, o breu do céu

sai de cena e

agora a brisa repousa inerte

no colo da açucena,

e com o sol

inicia o flerte da morte,

que na vida aquilo que parece comédia

tantas vezes é sorte,

e o que sorte parece

invariavelmente é tragédia.

Vê, agora um remorrer enternece

de mãos dadas a um renascer

que acontece porque

no singelo flambado na aspereza,

tudo o que

é belo um dia se acaba

seja pelo acaso ou por sua natureza.

 

Vem porque já não quero mais

falar das guerras

e que tais,

nem da alucinação dos generais

diante de tanta crueza.

Que importa o balé de macas

em Meca,

o desamor em Taipé

sangrando em haraquiri?

Que importa a armadilha

das catracas,

a matilha de panacas,

o jogo das arapucas,

tiros varando nucas,

se agora o dia chega

e você está aqui?

 

Bom dia!

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Milton Triano