Araras, 22 de julho de 2018

“Hoje temos a capacidade de transformar o mundo num inferno e estamos a caminho de fazê-lo. Mas também temos a capacidade de fazer exatamente...
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“Hoje temos a capacidade de transformar
o mundo num inferno e estamos a caminho
de fazê-lo. Mas também temos a capacidade
de fazer exatamente o contrário”.

Herbert Marcuse

A sabedoria popular opera milagres. A síntese é um deles.

Essa capacidade, de resto algo inerente à criatividade despida de academicismos arrogantes, é capaz de resumir em uma frase aquilo que os doutos gastam carradas de papel para dizer.

Um exemplo da dardejante habilidade estampa-se em um dito que seguramente todo mundo já ouviu: “Quem tem c* tem medo”.

É uma pena que o autor da mais brilhante condensação dos estudos da Psique humana que jamais conheci, seja um ilustre desconhecido. Por muitíssimo menos, muita gente levou para casa o Prêmio de Psicologia e Direitos Humanos.

Quem tem aquilo que os mortais utilizam para expelir o produto interno bruto, afirma o anônimo frasista, tem “o sentimento de insegurança em relação a uma pessoa, uma situação ou um objeto”, ou seja, medo— as aspas resguardam a definição da psicóloga Marisa de Abreu Alves.

O medo, ou, como queiram, receio, é uma sensação que, por incrível que pareça, pode ser transmitida por intermédio de vírus. A inoculação, afirma o doutor D. Mente, é feita invariavelmente pelos formadores de opinião; a propagação ocorre ora pelo contato pessoal, ora pelos facebooks e whatsapps da vida, quando não pela tevê e jornalões goebbelianos.

Recentemente, o vírus do qual vos falo, até então desconhecido dos estudiosos do pantanoso terreno dos nossos miolos, mandou às favas tudo o que até então a ciência conhecia sobre o receio e seu atlético filho, o pânico.

Trata-se do caminhoneirus grevis, doença infecciosa aguda que paralisa, especialmente nas rodovias, o sistema locomotor dos infectados; nas cidades, ao contrário, deixa-os completamente surtados.

O caminhoneirus grevis interrompeu por longos 10 dias a dança de rato que os humanos e suas poluidoras máquinas fazem diariamente pelas estradas desses brasis varonis; nas cidades, multidões surtadas aguardaram horas em intermináveis filas para abastecer seus possantes, bem como atacaram supermercados com medo do desabastecimento, ocorrência esta que as redes sociais adicionaram no caldo da loucura geral.

O aloprado comportamento da sofrida gente brasileira, isso quando do surto de caminhoneirus grevis, faz pensar. Faz pensar que nunca, jamais e em tempo algum, nossos dirigentes, qualquer que seja o nível da administração pública, se preocuparam em elaborar um plano para enfrentar situações emergenciais semelhantes.

De 21 a 30 de maio, o ataque foi do caminhoneirus grevis; amanhã, que o bom Deus nos livre, poderá ser uma catástrofe natural. E, como não, outra epidemia de caminhoneirus, visto que contra ele a única vacina é obtida através da condensação do extrato de vergonha na cara, coisa que, sabidamente nossos atuais governantes não têm.

Faz pensar que, passada a crise de tosse nas bombas de combustível, a população imediatamente retomou ao aconchego da indiferença com relação àquilo que a maioria dos candidatos à Presidência da República diz abertamente que vai fazer no dia seguinte à posse: cortar a artéria femoral dos aposentados e retalhar estatais ao custo de nossa soberania.

Hoje temos a capacidade de transformar o país num inferno e estamos a caminho de fazê-lo. Mas também temos a capacidade de fazer exatamente o contrário.

Bom dia!

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Milton Triano

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