Pelo menos quatro moradores do Residencial Arnaldo Mazon, no Narciso Gomes, registraram boletins de ocorrência na sexta-feira à noite (27) e no sábado de manhã (28), contra pessoas que teriam invadido seus apartamentos na semana passada, enquanto estavam fora dos imóveis.
Entre as vítimas, estão pessoas que deixaram de morar temporariamente no local, que ficaram alguns dias fora ou mesmo que só ficam no apartamento aos fins de semana por trabalharem em outra cidade. Os apartamentos foram financiados pela Caixa Econômica Federal, por meio do programa Minha Casa, Minha Vida.
Em todos os casos, os supostos invasores teriam alegado aos proprietários que entraram nos apartamentos pelo fato destes não estarem sendo habitados pelos donos. Tribuna apurou que parte dos invasores seria parentes ou conhecidos de moradores do residencial e que estariam sondando apartamentos desocupados, ou cujos moradores estivessem ausentes por alguns dias.
A reportagem conversou por telefone com alguns dos proprietários, que ainda não conseguiram retornar às suas moradias. É o caso de uma doméstica de 39 anos, que disse já ter procurado um advogado para pedir à Justiça a reintegração de posse. Ela conta que saiu para trabalhar no começo da semana e ficou alguns dias na casa de sua mãe. “Quando voltei, na sexta-feira, tinha lá uma moça com os filhos e o marido, e ela não me deixou entrar”, relata.
Segundo o BO registrado por ela, a jovem teria respondido que a vítima não precisava do apartamento, mas sim ela que tem dois filhos. A mulher conta que conseguiu perceber que parte de seus móveis foram colocados em um dos quartos. “Eu havia comprado alimentos, tinha roupas minhas lá dentro também e ela disse que não me via lá há duas semanas. Mas eu tinha saído na terça”, diz.
Já um servente de 59 anos relatou em BO que reside no apartamento, mas como trabalha fora, retorna somente aos finais de semana. Ao chegar em seu imóvel, teria se deparado com duas jovens, que quando questionadas teriam mandado ele procurar seus direitos. Ele diz ter acionado a Polícia Militar, que foi ao local, mas os policiais teriam orientado a vítima a registrar o boletim, já que não poderiam retirar as pessoas do apartamento.
No sábado (28), uma diarista, proprietária de um apartamento, que disse estar morando temporariamente com a mãe no Jardim São João, foi ao residencial e se deparou com uma família ocupando seu imóvel. Um indivíduo teria perguntado quando ela tiraria os objetos, mas a mulher afirma não ter negociado o imóvel e desconhecer o motivo da posse.
Questionada por telefone pela reportagem, ela não respondeu porque havia deixado de morar no local, mas diz que esteve no apartamento na sexta-feira (27) e depois de retornar à casa de sua mãe, no final da tarde, uma moradora lhe telefonou informando que três pessoas teriam ocupado o imóvel. “Eles arrombaram a porta e trocaram a fechadura”, afirma.
Na sexta-feira, um caso de invasão já havia sido registrado no 2o Distrito Policial.
Emhaba diz que lesados devem procurar direitos
O presidente da Emhaba (Empresa Municipal de Habitação), Jackson de Jesus, confirmou à reportagem que foi procurado por vários moradores que se sentiram lesados, mas argumenta que esses problemas fogem da alçada da autarquia. “Imagina se alguém invade e se apropria de sua casa… o que você faz? É a mesma situação. Só pode intervir quem tem a posse, que assinou o contrato, e deve procurar os meios legais”, justifica.
Ele registrou um BO não-criminal na manhã de sexta-feira (27), bem como o síndico do residencial, Fábio José dos Santos, e alguns moradores, relatando que populares têm usado seus nomes para adentrarem no condomínio e estariam se apossando de apartamentos em que os proprietários não estariam habitando.
“Não dá para dizer que esses apartamentos invadidos não eram habitados, pois as coisas dos que assinaram o contrato estão lá. Agora, se não ocuparam, é uma outra questão, que não justifica a invasão”, opina.
Caixa diz apurar os fatos de Araras
Tribuna questionou a Caixa Econômica Federal por e-mail sobre o procedimento adotado em relação aos fatos supostamente ocorridos em Araras. A assessoria de imprensa do banco afirmou em nota que “a Caixa tem ciência e já adotou as providências necessárias”.
Segundo a instituição, “nos casos de comprovada irregularidade na ocupação do imóvel, por exemplo, utilização por terceiros que não o beneficiário do contrato, a Caixa Econômica Federal, por meio da Justiça Federal, requer a rescisão do contrato e desocupação do imóvel. Além dessas providências, caso haja indícios de crime é apresentada denúncia-crime para apuração pela Polícia Federal. Após a rescisão do contrato e desocupação do imóvel, este é novamente direcionado às famílias selecionadas no Programa Minha Casa, Minha Vida.
Quando vc acha que é só em São Paulo que acontece essas coisas….
Ta chegando no interior das cidades tambem…