Araras, 21 de agosto de 2017

A saída da professora Regina Corrochel (PP) da Secretaria Municipal de Educação, poucas semanas após assumir a pasta, expõe mais uma vez os crônicos...
Compartilhe em suas redes sociais!

A saída da professora Regina Corrochel (PP) da Secretaria Municipal de Educação, poucas semanas após assumir a pasta, expõe mais uma vez os crônicos males da nossa política. Evidencia também o modo centralizador (não no sentido pejorativo, mas de estilo, mesmo) do prefeito Nelson Brambilla (PT), que gosta de controlar tudo. Inclusive o que promete deixar outros controlarem. E a Educação mostra-se uma das meninas dos olhos do prefeito, nesse seu ainda ameaçado novo mandato.
O pedido de demissão de Regina escancara também o famigerado sistema de barganha de interesses que impera na política local – e em todo o Brasil – no qual o toma lá, dá cá, é feito levando-se em conta muito mais os objetivos de pequenos grupos do que os da coletividade.
Sim, porque para sair do governo, antes a professora e expoente do PP teve que entrar. E na época da costura de apoios pela reeleição, Brambilla e o PT não quiseram deixar escapar o PP, com seu precioso tempo de propaganda em rádio e TV, e o potencial de votos que mãe e-ou filho, Bonezinho Corrochel, do mesmo partido, teriam. E poderiam levar para quem quisessem, com aval portentoso da Igreja do Evangelho Quadrangular.
Mesmo sabendo que teria que dar algo em troca e que esse algo há muito tempo era a Secretaria Municipal de Educação, tratou-se de cimentar rapidinho o PP no arco de alianças. Apesar de (neste caso) a secretária ser do ramo – professora reconhecida, diretora respeitada, tecnicamente bem intencionada – temos aqui uma demonstração evidente do famigerado toma lá, dá cá.
Aí, como tem a centralização, tanto da parte de Brambilla quanto de seu partido, eis que surge a tal “ingerência” na pasta deixada por Regina, que sem pestanejar, deu nome ao boi – secretaria de Governo, ocupada por ninguém menos do que o petista Léo Gurnhak, ex-secretário de Educação e de estreito vínculo com Brambilla.

Em termos “profissionais” Regina fez o que qualquer um faria: pegou suas coisas e voltou rapidinho para seu bom cargo no Estado. Mas em termos políticos, só se pode lamentar essa prática canhestra, antiga e infelizmente ainda arraigada de se trocar, e quem sabe até se retirar, apoios conforme as conveniências. No discurso, todos se dizem republicanos, afirmam só pensar no interesse maior da cidade, em “novas formas de fazer política”. Nas atitudes, praticam a política velha mesmo.

O problema é que o cenário desse teatro, onde a ação contradiz o discurso, é a Educação Municipal de Araras. Um gigante com 12 mil alunos, mais de 700 professores, cerca de 40 escolas bonitas e bem equipadas, mas muitas com Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) estagnado ou caindo. Como bem disse o próprio Brambilla, tem escola municipal de Araras com Ideb menor do que o de outras, de Mossoró/RN, onde alunos são obrigados a estudar sob árvores.
Para mudar esse quadro, só para 2013, há R$ 85 milhões do Orçamento Municipal para Educação. Algo em torno de R$ 600 por aluno/mês. No discurso, a maioria dos nossos agentes públicos acha pouco. Na prática, não demonstram mesmo serem capazes de fazer esse dinheiro render.

Compartilhe em suas redes sociais!

Tribuna do Povo