Araras, 14 de dezembro de 2018

Outubro de 2008. Poucas horas após a divulgação oficial do resultado da eleição municipal daquele ano, os vitoriosos Pedrinho Eliseu e Agnaldo Píspico (DEM),... Pedrinho e Brambilla: aliados em 2008, principais oponentes em 2012
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Pedrinho, Brambilla e Agnaldo Píspico em 2008, durante campanha para eleição daquele ano: hoje eles são ferrenhos adversários (Foto: Cristiano Leite/Tribuna)

Outubro de 2008. Poucas horas após a divulgação oficial do resultado da eleição municipal daquele ano, os vitoriosos Pedrinho Eliseu e Agnaldo Píspico (DEM), eleitos prefeito e vice com 38.770 votos e Nelson Brambilla (PT), vereador dos mais votados da história de Araras, e que naquele pleito obteve 7.394 votos, festejaram juntos o resultado das urnas. A campanha daquele ano incluia caminhadas pelas ruas do Centro da cidade e uma carreata, na qual Brambilla, Pedrinho e Píspico desfilaram juntos na carroceria de uma picape, acenando e sorrindo para o povo.

Nas semanas que antecederam a votação, Pedrinho e Brambilla chegaram a cumprir agendas de campanha juntos. Foram a público várias vezes declarar apoio mútuo e pediram votos um para o outro. Brambilla classificou por diversas ocasiões a candidatura de Pedrinho como a chance que Araras tinha de mudar – para melhor.

E o jovem candidato a prefeito reiterou muitas vezes que o apoio de um médico e político tão sério quanto Brambilla era motivo de orgulho para sua candidatura.

O discurso uníssono entre eles na época era contra uma eventual “continuidade” do grupo de Luiz Carlos Meneghetti (PPS) no poder. Após dois mandatos consecutivos, Meneghetti apoiava seu vice Francisco Nucci Neto (PMDB) e o então presidente do Saema, Worinson Mercatelli (PPS), que acabaram derrotados no pleito.

Pedrinho e Píspico eleitos prefeito e vice. Brambilla o vereador mais votado e depois, eleito presidente da Câmara Municipal. Assim terminava 2008.

 

Pedrinho teve registro cassado às vésperas da eleição de 2008

A eleição daquele ano, no entanto, guardava muitas surpresas. Às vésperas da votação daquele ano, no dia 3 de outubro, Pedrinho e Píspico tiveram seus registros de candidatura cassados por decisão do então juiz eleitoral Daniel Serpentino, julgando procedente acusações contidas numa Aije (Ação de Investigação Judicial Eleitoral) movida pela coligação de Francisco Nucci Neto e Worinson Mercatelli Rodrigues.

Pedrinho e Agnaldo haviam, segundo entendimento do juiz local, cometido abuso de poder econômico e uso ilegal de meio de comunicação, tendo sido favorecidos, segundo o magistrado, por matérias do Jornal de Agora – que fazia oposição ao governo Meneghetti.

Mesmo com os registros cassados em primeira instância, Pedrinho e Píspico puderam participar normalmente da eleição, enquanto recorriam da decisão em instâncias superiores.

Até julho de 2009, no entanto, Pedrinho e Píspico deixariam o governo duas vezes, por ordem da Justiça. O TRE – SP (Tribunal Regional Eleitoral) de São Paulo confirmava a decisão do juiz local quanto aos registros de candidatura. Na primeira ocasião o afastamento foi rápido – coisa de pouco mais de dois dias – e Brambilla, o próximo na linha sucessória, tomou posse numa tensa e discretíssima solenidade na Câmara, mas nem chegou a ir ao Paço Municipal. Pedrinho conseguiu na Justiça autorização para voltar ao cargo, do qual seria nova e definitivamente afastado naquele mandato. Brambilla tomava posse novamente em meados de julho, iniciando um mandato interino que se estenderia por um ano.

Em março de 2010, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) também manteve intacta as sentenças das instâncias superiores, confirmando a cassação de registros de Pedrinho e Píspico, abrindo caminho para que o TRE marcasse nova eleição municipal em Araras.

 

Relações com Pedrinho começaram a azedar já na interinidade de Brambilla

Bem antes de a cidade saber que passaria por eleição suplementar para prefeito, o relacionamento de Pedrinho e Brambilla já havia azedado. Se no começo da interinidade o petista sempre se referia ao prefeito afastado como alguém que poderia voltar a qualquer momento ao poder, com o passar dos meses Brambilla foi ficando mais à vontade no cargo.

Trocou o secretariado, no qual vinha mantendo várias pessoas de confiança de Pedrinho, tomou decisões importantes como a de comprar 25 novos ônibus para o TCA (Serviço Municipal de Transporte Coletivo) e ir a Brasília/DF solicitar verbas federais do PAC 2 (Programa de Aceleração do Crescimento) para macrodrenagem urbana e também modernização do tratamento de esgoto.

Após a decretação de nova eleição, Brambilla lançou-se candidato com Carlos Jacovetti (PSDC) e enfrentou nas urnas um “representante” de Pedrinho, o pai do prefeito cassado. Pedro Eliseu Sobrinho (Pedrão) e Evaldo Grigoletto acabaram derrotados por Brambilla e Jacovetti. O prefeito ‘por acaso’ ou ‘por acidente’ tornava-se governante de Araras eleito democraticamente. Desde então e mais intensamente nos últimos meses, os “grupos” de Pedrinho e Brambilla vêm sublinhando o antagonismo e são hoje os principais oponentes na eleição de 7 de outubro. E ambos com os mesmos vices que os acompanharam nos últimos pleitos que enfrentaram.

 

O que Brambilla e Pedrinho dizem hoje um do outro

Questionado esta semana pela Tribuna sobre como pretende convencer o eleitor a votar nele e não em Pedrinho, a quem apoiou em 2008, Brambilla disse que “fez o que achava mais correto naquele momento político”. “Nós tivemos um momento de lucidez e decidimos não lançar nossa candidatura a prefeito e sim a vereador. E analisando o momento político da época, achamos que apoiar o Pedrinho era um caminho para oxigenar as forças políticas, o que a cidade precisava. Do outro lado tinha um homem público que admiro, que é meu amigo, o doutor Nucci, mas a cidade precisava dessa oxigenação, que a candidatura do Pedrinho representava e nós então apoiamos”, disse.

Brambilla afirmou também que após a cassação de Pedrinho e de fazer o que ele chama de um “governo de arrumação” se sente credenciado a tentar novo mandato. “Depois do que aconteceu, que não teve nada a ver conosco, nós assumimos interinamente e fizemos após eleitos em 2010 um governo de arrumação. Isso me permite apresentar meu nome à população novamente. Por que não permitiria? Nós ainda temos um grande trabalho a fazer. Eu não omito nem nego quem apoiei em 2008, mas também ninguém pode omitir e negar que pegamos uma Prefeitura com R$ 90 milhões em dívidas, sendo R$ 53 milhões em precatórios, mais de R$ 10 milhões em débitos diversos, dívidas de energia elétrica, entre outras e saneamos o município nesse período. Isso nos dá direito de nos apresentarmos novamente ao eleitor”, disse.

“Eu quero que as disputas judiciais sejam ultrapassadas e que o Pedrinho esteja na disputa, para escolha democrática do eleitor. Seria até constrangedor para mim amanhã se saísse vitorioso das urnas agora em outubro ouvir alguém dizer que foi porque uma força política importante estava fora da eleição”, afirmou, sobre o fato de Pedrinho estar novamente com registro de candidatura negado pela Justiça Eleitoral em primeira instância. O caso está sob recurso no TRE – SP.

Também questionado pela Tribuna sobre enfrentar hoje um ex-aliado político de 2008, Pedrinho deu sua visão pedindo para que fosse publicada na íntegra. “Em 2008, o Agnaldo, num gesto de grandeza, inicialmente abriu mão de ser o nosso vice para que ele fosse. Isso não aconteceu pela falta de sintonia entre mim e o PT, seu partido. Com isso, ele saiu candidato a vereador e informalmente apoiou a mim e ao Agnaldo. Hoje, porém, as coisas estão diferentes. Realmente, eu o apoiei como vereador, inclusive pedindo votos para ele. E ele me apoiou como prefeito porque sabia que tínhamos um bom Projeto. E pelo menos para mim, não há nada de pessoal em disputa. Tanto que eu continuo no mesmo caminho de antes, afinal, não o apoiei para prefeito, mas para vereador. Acontece que, apesar de ter continuado o nosso projeto (ele mesmo disse que não tinha projeto algum), distanciou-se dele no aspecto principal. Preferiu optar pela política antiga de “gastar dinheiro do orçamento com coisas que aparecem”, deixando de fazer o principal. Quero, pois, ser prefeito, para fazer o mais importante. Modernizar a prefeitura, profissionalizando-a de modo a melhorar a qualidade dos serviços públicos e desenvolver Araras economicamente, coisas que ainda não aconteceram. Desde março de 2011 me dediquei a um novo projeto, que trago para eleição pronto e registrado no TSE. Fui inclusive estudar para isso. E quem acessar os projetos de cada candidato no TSE, verificará de pronto a profundidade e a diferença de cada um. Jamais viria para uma eleição dizendo que ainda estou desenvolvendo o programa de governo. Por isso, me apresentarei ao eleitor do mesmo modo como fiz da outra vez, sem problema algum, pedindo uma chance para ser prefeito e para os vereadores que me acompanham. Como se vê, da nossa parte, nada mudou”, declarou.

 

Paulinho e Walter se dizem “em paz e otimistas”

Os dois únicos candidatos que até ontem tinham registros de candidaturas a prefeito deferidos pela Justiça Eleitoral, Paulinho Nascimento (PTC) e Walter de Oliveira (PPS), também deram sua visão do momento político eleitoral vivenciado na cidade.

“Eu saio candidato porque não desejava ver a população tendo que escolher só entre duas propostas. É o que eu sempre disse e isso não mudou. O que eu tive e queria não ter enfrentado foi muita dificuldade para viabilizar meu grupo, minha candidatura, meus vereadores. Isso foi desgastante. Mas estamos aqui e agora, vamos fazendo nosso trabalho, em paz, sem ficar olhando a situação de ninguém e mostrando nossa proposta. Isso é o que importa. No mais, se a Justiça decidir que alguém tem que ser responsabilizado por alguma irregularidade, não somos nós que praticamos e nem que denunciamos. A expectativa existe, claro, mas é pela decisão da Justiça e não porque queremos que a população tenha menos alternativas para escolher”, declarou Paulinho.

Walter de Oliveira foi na mesma linha. “Nós não queremos o mal de ninguém. Estamos candidatos porque acreditamos no nosso sonho, no nosso objetivo. Vamos mostrar isso na campanha e estamos desarmados. Não ficamos vendo o que um ou outro está fazendo ou se tem problema na Justiça. Se tem, que enfrente, responda, que a Justiça resolva e o que resolver, para nós, está resolvido e não muda nosso trabalho”, afirmou. (AMD)

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Tribuna do Povo

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