Araras, 27 de agosto de 2016

Uma semana após o assassinato de Beatriz da Silva, de 14 anos, a Polícia Civil ainda não tem pistas e vestígios sobre o autor... Para delegado, “assassino de Beatriz é de Araras”

Beatriz da Silva, de 14 anos, foi encontrada morta na quarta-feira (3)

Uma semana após o assassinato de Beatriz da Silva, de 14 anos, a Polícia Civil ainda não tem pistas e vestígios sobre o autor do crime. O corpo da garota foi encontrado em um canavial próximo a estrada ARR-444, prolongamento da avenida Luiz Carlos Tunes (via Novela), zona leste. De acordo com o delegado titular, Sydney Sully Urbach, “o assassino tem perfil psicopata, é de Araras e não conhecia a vítima”.
Urbach informou que desde o início das investigações várias pessoas foram ouvidas, desde familiares, amigos e membros da igreja que Beatriz frequentava, a Assembleia de Deus, localizada no Jardim Ouro Verde. “Checamos todas as histórias de pessoas próximas da família, fizemos e refizemos o trajeto de Beatriz entre a sua casa e o salão de beleza naquela manhã de quarta-feira (3), e temos a informação que ela falou, através de mensagem via celular, com sua mãe, entre às 7h38 e 7h50. Foi nesse intervalo que ela foi raptada, mas ainda não sabemos se foi a 60 metros do salão ou se foi em frente ao estabelecimento, já que este encontrava-se fechado”, explicou.
Urbach disse ainda que o autor não tinha conhecimento sobre a vida da vítima e não mantinha nenhum contato. “Estamos tranquilos em afirmar que ela foi arrebatada por um estranho. Procuramos filmagens de câmeras na região, mas a que encontramos estão em péssima qualidade. Portanto, não sabemos o modelo do veículo e a cor”. Mesmo sem evidências reais, a investigação conseguiu apontar que o assassino não é de outra cidade. “Ele é de Araras e não conhecia a vítima e a explicação está no local onde o corpo foi encontrado”, apontou.
O trecho da estrada de terra onde foi localizado o corpo de Beatriz é utilizado como motel a céu aberto e, no local, foram encontrados vários preservativos usados pelos frequentadores. “É um local muito afastado, com curvas, e somente pessoas de Araras tem o conhecimento dele para a prática de sexo”, disse. Apesar de assumir que não existem motivos para a vitória após uma semana de investigação, o delegado confirma que a situação é complexa e atípica para os padrões dos crimes registrados na cidade nos últimos anos.
“Creio que o último caso de crime sexual contra uma jovem aconteceu em 1997, com a menina Talma (na época com apenas 10 anos). Esse crime foi desvendado 11 anos depois, mas dessa vez podemos afirmar que o de Beatriz será solucionado o quanto antes e contamos com a tecnologia”, disse. Para chegar até o assassino, a Polícia Civil espera a liberação do exame que recolheu o material genético do corpo de Beatriz feito pelos peritos do IML (Instituto Médico Legal) de Limeira. “Através dele vamos encontrar os vestígios de uma outra pessoa no corpo da vítima feito por meio do DNA”, disse.

Encontro do corpo
O inquérito policial ainda aguarda a liberação dos exames realizados pela equipe técnica do IML, porém, outros detalhes sobre o encontro do corpo foram revelados. Urbach contou que as perfurações nas costas de Beatriz estavam na mesma região e foram feitas, possivelmente, por uma chave de fenda. “O assassino teve a capacidade de abusar da menina e ainda vestir sua roupa de forma intacta, já que nenhum vestígio de sangue foi encontrado na calça jeans e na camiseta preta que ela vestia”, informou.

Polícia Civil pede calma à população
Nas primeiras horas após o encontro do corpo de Beatriz, vários suspeitos apareceram e, em sua maioria, pessoas próximas do convívio social da vítima. “Nas primeiras horas trabalhamos com a possibilidade do autor ser próximo, mas posso afirmar que todas as possibilidades estão afastadas e essa conclusão tem como base laudos técnicos. Portanto, aqueles apontados e que caíram no gosto popular não participaram do crime”, afirmou. A exclusão foi comprovada através de depoimentos e coleta de informações por câmeras de segurança em locais de trabalho.
“Sei que toda a cidade encontra-se em comoção, que todos querem uma resposta para este crime bárbaro, mas queremos a justiça e não precisamos de justiceiros. A Polícia Civil chegará até esse assassino e ele pagará, conforme a lei, pelo ato que cometeu”, prometeu. Na segunda-feira (8), após um boato sobre a presença de um suspeito em depoimento na Delegacia do Município, populares cercaram a delegacia à espera de uma resposta sobre o paradeiro do psicopata que, por enquanto, a Polícia Civil ainda não sabe.

Tiago Penteado

Contato: tiago@tribunadopovo.com.br