Olho nelas

Pela primeira vez na história de Araras, uma mulher vai disputar a Prefeitura. Gábi Eliseu passa a integrar o páreo totalmente no susto, porque o marido Pedrinho Eliseu (PSDB) teve que retirar sua candidatura após o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) negar-lhe recurso que visava obtenção de registro. Até então, apenas a professora Iraci Barbosa, nos anos 1990 e a advogada Márcia Tognasca, em 2004, tinham integrado chapa majoritária, mas como candidatas a vice.
No mesmo momento em que a escolha de Gábi Eliseu foi anunciada pela coligação que apoiava Pedrinho, o grupo de Brambilla tratou de acender um grande holofote sobre a cabeça de Elaine Brambilla, primeira-dama e, obviamente, esposa do prefeito e candidato à reeleição Nelson Brambilla (PT).
Vai ser interessante, independentemente dos rumos e dos números – conhecidos oficialmente ou sussurrados nos bastidores – que a disputa eleitoral em Araras vier a tomar, ver as mulheres ocuparem mais a cena política local.
A participação das mulheres na política vem aumentando em todo o mundo, também no Brasil e em Araras. Mas vivem situações paradoxais. Enquanto são maioria no eleitorado segundo o Cartório Eleitoral de Araras, elas ainda são minoria na disputa, por exemplo, à Câmara Municipal. Dos 194 candidatos a vereador este ano, apenas 64 são mulheres, o equivalente a 31,6% das candidaturas registradas.
Estão certos, independentemente do motivo, os que dão destaque às mulheres no processo eleitoral. Elas já são maioria na população economicamente ativa do País, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Se no início da década de 1970, apenas 30,9% dos empregos formais do Brasil eram ocupados por mulheres, hoje elas já representam 57,8% dos trabalhadores com carteira assinada. Se pensarmos que muitas atuam informalmente como diaristas, cuidadoras de crianças ou idosos, sacoleiras, cabeleireiras, manicures, etc… ou mesmo empregadas domésticas, concluiremos que a sustança da massa de trabalhadores do Brasil é dada pelas mulheres.
Como maioria entre os que levam o pão de cada dia para casa, e pelas características já amplamente consagradas que incluem um grande domínio sobre os rumos de suas famílias, que muitas carregam nas costas sozinhas, as mulheres, que já são o público mais visado pelas agências de publicidade e por muitos mercados, também precisam ser levadas mais a sério quando se fala em política e em eleição.
Só para lembrar, as mulheres já dominam outros aspectos da sociedade, como as vagas em cursos de graduação, mestrado e doutorado no Brasil. Galgam cada vez mais postos de alta gerência em grandes organizações. Em muitos casos, ganham menos que os homens para funções idênticas, mas, aos poucos, também começam a reverter essa realidade. Quem ignora-las nos processos mais importantes envolvendo a sociedade – eleições incluídas – pode se considerar na contramão. E fadado a pegar um desvio sem volta.

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Por em 13 de setembro de 2012. Arquivado em Editorial. Você pode acompanhar quaisquer respostas a esta notícia através do RSS 2.0. Both comments and pings are currently closed.

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