Araras, 18 de dezembro de 2017

“O dinheiro não traz felicidade — para quem não sabe o que fazer com ele”. (Machado de Assis)   O líder da Coréia do...
Compartilhe em suas redes sociais!

“O dinheiro não traz felicidade — para quem não sabe o que fazer com ele”. (Machado de Assis)

 

O líder da Coréia do Norte, aquele moleque maluquinho que deu de brincar, lá nos confins do Judas, de jogar para cima ogivas que transportam a morte, assim como a bagaceira imoral que fermenta malfeitos na dorna política brasiliense, estão dividindo espaço na mídia cabocla, vejam só, com um boleiro.

Boleiros existem aos montes e sempre estão em evidência, principalmente num país em que a paixão pelo futebol substituiu o sentimento nativista que, socorra-nos Tiradentes, seguramente não deixaria nosso destino nas mãos dessa gente que faz da humilhação da razão o principal compromisso programático partidário.

O boleiro que há quase um mês tem jogado para escanteio — o trocadilho não foi proposital — o biruta coreano e os safardanas do Congresso, é diferente da multidão de boleiros que desfilam pelos campos de futebol do planeta pelo seguinte fato: ele se chama Neymar da Silva Santos Júnior, é um cracaço, e, por Mercúrio, Pluto, Jano, e a cambada toda de deuses da venda, lucro, comércio e riqueza, virou a cabeça de um tal de Nasser Ghanim Al-Kelaif.

Por um desses acasos vitaminados com cifrões, Nasser é xeique, é catariano, é arquimilionário. Brinca de ganhar dinheiro, e um de seus rendosos prazeres chama-se Paris Saint-Germain, um time de futebol; não por acaso, o brimo cismou de levar o boleirão Neymar para Paris, projeto no qual gastou os tubos.

O mata-leão financeiro que o xeique deu na espanholada rendeu, como rendido tem, artigos, comentários, opiniões, praguejamentos, ameaça de excomunhão, críticas, aplausos, enfim, um piriri pororó que está longe de acabar.

Não sou nenhum João Bidú das quebradas para prever se o jogador ferrou ou não seu sonho de vir a ser o maior jogador de futebol do mundo; não sou um John Maynard Keynes da vida para opinar se, financeiramente, a montanha de grana envolvida na transação vai ficar imune ao bolor financeiro que ronda o mundo.

Com igual ânimo, não consigo atinar se a dinheirama vai mexer com a cabeça de Neymar. Se eu fosse Carl Rogers, poderia tanger o picumã dos miolos, o chamado “psiquismo humano”. Ainda bem que não sou nem tenho tal dom.

Então, e descontadas essas reais impossibilidades de dizer se o craque acertou ou errou em sair do Barcelona; de afirmar se a recompensa material dada ao seu talento foi pequena ou justa; de não ter condições de julgar meu semelhante baseando-me em uma decisão absolutamente pessoal, digo que o atleta profissional e homem de negócios Neymar da Silva dos Santos Júnior agiu segundo as regras do capitalismo.

Assim, chamá-lo de mercenário é ignorar a realidade que faz girar o mundo da bola, a não ser que alguém ainda seja tão ingênuo de acreditar que o futebol é alimentado só com o fanatismo dos torcedores e o amor que os jogadores têm pela camisa do clube que defendem.

Futebol é business, negócio, comércio. Os trabalhadores desse tipo de atividade comercial são pessoas que vêm das camadas mais pobres da população; o sucesso é a porta que lhes permite a ascensão social. E, admita-se, no mundo capitalista ser aceito, ascender, integrar-se, é ter dinheiro.

Convenhamos, o sistema econômico pelo qual a maioria absoluta de países optou, alimenta diuturnamente através da publicidade a idéia de que quanto mais dinheiro uma pessoa tem para consumir o que deseja, mais ela se contrapõe à voz corrente de que o dinheiro não traz felicidade.

O dinheiro, reza o capitalismo, não traz felicidade— para quem não sabe o que fazer com ele.

A única coisa com que Neymar deve se preocupar depois de ter assinado a papelada, é com a advertência feita pela anarquista Emma Goldman:

“O capitalismo sabe corromper aqueles que deseja destruir”.

Fique de olho no sarraceno, garoto. E bola pra frente.

Bom dia!

Compartilhe em suas redes sociais!

Milton Triano