Araras, 23 de janeiro de 2019

 Luíza Gusmin conta a história da Rua Senador Lacerda Franco Luíza Maurício Gusmin é a moradora mais antiga da Rua Senador Lacerda Franco, Centro.... De estrada de terra para Leme a rua movimentada
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 Luíza Gusmin conta a história da Rua Senador Lacerda Franco

Luíza Gusmin mora há 81 anos no mesmo endereço e acompanhou desenvolvimento da Rua Senador Lacerda Franco
(Crédito: Tiago Penteado/Tribuna)

Luíza Maurício Gusmin é a moradora mais antiga da Rua Senador Lacerda Franco, Centro. Aos 90 anos guarda em sua lúcida memória histórias de Araras e revela o segredo para a vitalidade. “Trabalhar muito e viajar também”, ensina.

Nascida no antigo bairro do Limoeiro, que ficava na região da extinta Estação de Loreto, hoje zona leste, Luíza recorda parte da infância na fazenda que pertencia à Vital Pacífico Homem, um rico fazendeiro na época.

“Meu pai Domingos Maurício trabalhava para o doutor Vital e plantava eucaliptos no horto que existia na região do Loreto”, disse. Do horto pouco restou, apenas algumas espécies que cercam o Casarão onde hoje funciona a Aehda (Associação de Educação do Homem de Amanhã de Araras), no Parque Tiradentes.

Luíza conta também que durante sua infância na fazenda do doutor Vital a família enfrentou a Revolução Constitucionalista de 1932, que foi o movimento armado no Estado de São Paulo entre julho e outubro daquele ano. O objetivo era derrubar o governo provisório de Getúlio Vargas e convocar a Assembleia Nacional Constituinte. Os paulistas perderam a guerra.

“Tinha uma bica de água a poucos metros da nossa casa e era uma espécie de caverna. Nos meses da guerra eu e minha família corríamos para esconder dentro dessa caverna quando os aviões vermelhos vinham e jogavam bombas”, recorda.

Mudança para a Rua Senador Lacerda Franco

Quando ela tinha nove anos a família comprou uma chácara onde hoje está a Rua Senador Lacerda Franco. “Aqui era tudo pasto e a rua era a estrada para Leme. Me recordo que passavam milhares de bois (tropeiros) pela estrada e eles vendiam de tudo”, disse.

Na cidade, Luíza estudou na Escola Estadual Coronel Justiniano Whitaker de Oliveira. “Naquela época os meninos estudavam pela manhã e as meninas no período da tarde”, disse. Depois trabalhou durante anos na extinta Tecelagem Armando Lagazzi, que funcionava onde hoje estão os dois prédios do Vitrallis Premium Residences, esquina da Avenida Dona Renata (Marginal) e a Rua Albino Cardoso.

Luíza casou com João Gusmin, que era pedreiro e faleceu em um trágico acidente de trânsito ocorrido em 2005. “Quando casamos nós compramos a casa onde vivo até hoje. Naquela época tudo era muito difícil e vendemos uma que ficava perto da empresa Torque, no Jardim Belvedere. Aliás, não existia nada, apenas pomares”, relembra.

“Meu marido como pedreiro ajudou a construir a Biblioteca Municipal (Martinico Prado) e a Termoelétrica Ararense”, relata. O marido hoje tem uma rua na zona norte com seu nome.

Ainda sobre a casa comprada pelo casal cita uma história curiosa. “Aqui morava um casal de idosos e o velho morreu e seu velório foi na casa, pois era comum na época. Ela foi colocada à venda e ninguém queria porque todo mundo tinha medo da alma dele. Mandei rezar uma missa quando comprei e nunca vi o velho andar por nenhum lugar”, disse sorrindo.

Os anos passaram e o progresso chegou ao Centro, sempre acompanhado pela dona Luíza, que revela ter saudades das colegas de escolas e amigas já falecidas, além das professoras. Aliás, cita uma outra história curiosa da rua. “Brinco que ela é a rua das viúvas pois, assim como eu, moram várias”, brinca.

Aos 90 anos, é matriarca de 7 filhos, 13 netos e 11 bisnetos. “Tudo passou e eu estou aqui, firme e forte”, finaliza Luíza, que diz gostar de frequentar jantares e almoços beneficentes.

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Tiago Penteado Repórter de Segurança, Meio Ambiente e Tribuna no Bairro.

Contato: tiago@tribunadopovo.com.br

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