“Beatriz foi vítima de um crime medonho”, diz Urbach

Centenas de pessoas acompanharam o cortejo do corpo de Beatriz

A Polícia Civil de Araras iniciou as investigações para apurar a morte brutal da garota Beatriz da Silva, de 14 anos, encontrada em um canavial próximo a estrada ARR-444, prolongamento da avenida Luiz Carlos Tunes (via Novela), zona leste. Segundo o delegado titular, Sydney Sully Urbach, o caso é complexo e o crime “medonho”.
Beatriz desapareceu na manhã de quarta-feira (3) quando saiu por volta das 7h30 para ir ao salão de beleza, que fica a poucos metros da sua residência, localizada na rua Joaquim de Souza Barbosa, Jardim da Nações 1. Cerca de 20 minutos depois, a cabeleireira teria ligado para a mãe da garota para avisar sobre sua ausência. Após o relato, parentes, amigos e familiares se mobilizaram para procurar a jovem, encontrada sete horas depois em meio ao canavial.
A Polícia Militar recebeu um telefonema na tarde do mesmo dia informando sobre a presença do corpo que estaria em meio ao canavial.
Na manhã de quinta-feira (4), o comando da Polícia Civil realizou uma coletiva de imprensa para esclarecer os rumos da investigação e fornecer as primeiras informações sobre o exame realizado pela equipe de peritos do IML (Instituto Médico Legal) de Limeira. De acordo com Urbach, Beatriz não foi assassinada com uma arma de fogo e sim com um objeto pontiagudo, semelhante a um espeto utilizado para churrasco.
Ele afirmou que a garota foi vítima de um crime classificado como “medonho” e totalmente fora dos padrões registrados em Araras durante décadas. A linha da investigação segue como crime sexual, ou seja, o autor (ou autores) pegou vítima para essa prática.
Dentre as primeiras informações recolhidas pela investigação, que pode durar até 30 dias conforme o andamento do caso, confirma que Beatriz não foi morta no canavial. O motivo seria simples: o local não continha grande quantidade de sangue que sairia do corpo da garota devido as 10 perfurações feitas com o objeto.
O delegado contou ainda que a vítima foi encontrada de barriga para baixo e estava vestida com calça jeans e camiseta. O calçado, um par de rasteirinha, foi encontrado a poucos metros. Informações parciais do primeiro laudo emitido pelo IML mostram que o corpo apresentava profundos sinais de agressão e fortes lesões, além de vestígios de luta e violência sexual.
“Ela continha lesões nas pernas, região do tórax e seios, além de ferimentos na cabeça”, informou o delegado. Para completar o bárbaro assassinato, foram encontradas entre 10 e 11 perfurações nas costas, fato que retirou totalmente o uso de uma arma de fogo. “Ela não foi morta por uma arma e sim por um objeto pontiagudo, parecido com um espeto utilizado para churrasco”, esclareceu.
“O exame do IML apontou esse tipo de crime (abuso sexual), porém não foram encontrados vestígios de sêmen na vagina da vítima. Trabalha-se com a possibilidade de agressão com teor sexual feita com algum objeto”, apontou o delegado.
Devido a revolta gerada entre a população, vários boatos surgiram na cidade nas primeiras horas após o crime. Dentre elas, seria o envolvimento da garota com situações que poderiam gerar esse tipo de crime. Urbach foi enfático e afirmou que ela foi vítima de uma situação monstruosa. “Essa garota, infelizmente, foi vítima de um crime brutal e medonho. Tirem totalmente a relação dela com o fato e o uso de qualquer substância (drogas)”, explicou.
Uma força-tarefa foi criada e todos os delegados do município encontram-se empenhados para a solução do caso. Por enquanto, a polícia trabalha com várias hipóteses e o caso é considerado complexo. “Temos em mãos uma situação atípica, que exige muito do setor de investigação. Temos vários suspeitos e quase nenhuma testemunha”, disse.
Polícia trabalha com vários suspeitos
Considerado delicado e complexo, o caso vai exigir atenção especial do setor de inteligência da Polícia Civil. Segundo o delegado Sydney Sully Urbach, não há testemunhas para relatar o momento que Beatriz desapareceu.
O celular da garota não foi encontrado, o que vai contra a primeira informação de que o aparelho estava em um matagal. “Não encontramos o celular, mas sabemos que a mãe de Beatriz falou com ela pouco antes do desaparecimento. A Polícia já solicitou a quebra do sigilo telefônico para investigar o teor das ligações nas primeiras horas da manhã de quarta-feira”, explicou.
Outro ponto que levantou suspeita no início das investigações se deve ao encontro do corpo. A família, junto com amigos, procurou pela garota durante toda o dia 4, e um amigo encontrou o corpo no canavial por volta das 15h. A Tribuna apurou que a investigação indicou que este amigo não tem ligações com o crime, fato confirmado através de investigações e imagens cedidas por circuitos de câmera de segurança do local onde ele trabalha.
“No momento trabalhamos como todas as hipóteses, vamos esgotar todas as possibilidades que inclui o círculo de relacionamento da garota”, explicou Urbach. Tribuna apurou ainda que uma das hipóteses levantada pela polícia está na presunção de que o autor seja alguém de confiança de Beatriz. A perícia recolheu material genético do corpo da vítima e um exame de DNA indicará se existe material que não pertence a garota.

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Por em 6 de abril de 2013. Arquivado em Manchete,Segurança. Você pode acompanhar quaisquer respostas a esta notícia através do RSS 2.0. Both comments and pings are currently closed.

Um comentário

  1. sou ararense de coração disse:

    ACORDA POVO…COBREM DAS AUTORIDADES A RESPONSABILIDADE DELES…O DINHEIRO QUE O MUNICÍPIO TEM EM SEU ORÇAMENTO PARA 2013 É SUFICIENTE PARA INVESTIR EM SEGURANÇA…COBREM DAS POLÍCIAS CIVIL E MILITAR (DE SEUS RESPONSÁVEIS LEGAIS/DELEGADOS E COMANDANTES), MAIS TRANSPARÊNCIA, DA POLÍCIA MILITAR E GUARDA MUNICIPAL , PLANEJAMENTO E VIATURAS PATRULHANDO TODAS RUAS E BAIRROS DA CIDADE PREVENTIVAMENTE (NÃO SÓ OS BAIRROS NOBRES), PARA EVITAR CRIMES, DA POLÍCIA CIVIL, ELUCIDAÇÕES DE CRIMES E PRISÕES COM CUMPRIMENTOS DE MANDADOS (QUE NÃO SEJAM SÓ DE PRISÃO CÍVEL/ALIMENTOS). DO MP E DO JUDICIÁRIO QUE FAÇAM VALER A LEI, DOS VEREADORES E DO EXECUTIVO QUE CUMPRAM SUAS PROMESSAS DE CAMPANHA, NO QUE SE REFERE A SEGURANÇA PÚBLICA…E A MÍDIA, POR FIM DE TORNAR PÚBLICO A VOZ E O CLAMOR DO POVO AOS 4 CANTOS DA CIDADE !!