Araras, 24 de julho de 2017

O ataque cibernético, ou seja, por vírus de computador, que paralisou hospitais, órgãos governamentais e até grandes conglomerados de empresas pelo mundo no último... Ataque cibernético mundial afetou sistemas do TCA
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Servidor do TCA sofreu ataque e precisou ser formatado para receber novos programas e arquivos
Foto: Cristiano Leite/Tribuna

O ataque cibernético, ou seja, por vírus de computador, que paralisou hospitais, órgãos governamentais e até grandes conglomerados de empresas pelo mundo no último final de semana também afetou a rotina da autarquia que cuida do transporte coletivo de passageiros em Araras, o TCA (Serviço Municipal de Transporte Coletivo de Araras).

Estimativa inicial é de que o golpe virtual teria se espalhado pelo planeta por e-mails. Quem clicasse no anexo, imediatamente tinha seu computador infectado e todos os que estão ligados em rede também. O problema é que na hora todos os dados e arquivos de toda a rede de computador são criptografados, tirando totalmente o acesso a eles. É o chamado ‘sequestro virtual’, porque na tela do computador aparece uma mensagem ao usuário e empresas, informando que para ter seus documentos de volta, só pagando resgate. No mínimo eram cobrados US$ 300 – quase R$ 1 mil – para que os arquivos fossem ‘liberados’. Essa tentativa de pagamento aconteceu também no TCA, mas a empresa tinha cópia dos arquivos – e por isso não precisou pagar nada e não perdeu arquivos.

Apesar disso, a empresa enfrenta o transtorno de precisar formatar (ou seja, excluir todos os arquivos e reinstalar os programas de computador) das máquinas infectadas pelo vírus. A expectativa é que o setor administrativo do TCA ainda leve alguns dias para funcionar perfeitamente novamente. Ainda assim os serviços de transporte coletivo e o atendimento ao público não foram afetados.

O ataque aos computadores do TCA só foi detectado na terça-feira (16). “Chegamos para trabalhar e todos os nossos sistemas estavam travados”, conta o próprio presidente da empresa, Élcio Rodrigues. O presidente, contudo, conta que mesmo com o problema – que causou transtornos no TCA –, nenhum arquivo ou informação foi perdida. “O backup (cópia dos arquivos) é diário e não chegamos a perder informações”, complementa.

Élcio conta que inicialmente houve um travamento no sistema, ainda na manhã de terça-feira. Um pouco depois todos os computadores, em rede, foram infectados. “Em questão de minutos todos os sistemas que utilizamos estavam bloqueados”, complementa ele.

O presidente do TCA garante que só não houve prejuízo porque a autarquia municipal faz backups diários em todo o sistema. Ou seja, todos os dias funcionários copiam arquivos a um dispositivo de armazenamento que não fica ligado à internet, impedindo a contaminação dos arquivos e perda destes. “Essa estratégia (do backup diário) funcionou bem e não chegamos a perder informação nenhuma dos nossos sistemas”, conta ele.

                              

Sequestro de dados

Apesar do susto, o presidente do TCA, Élcio Rodrigues, se mostrou aliviado com a rotina da empresa em manter cópias de todas as informações. Isso porque, assim como ocorreu noutras empresas e instituições pelo mundo todo, os computadores foram infectados por um vírus que “sequestra dados” dos computadores. Esses dados não são apagados ou enviados a outros computadores, mas com os ataques os hackers conseguem ‘bloquear’ o uso de arquivos e pedem resgate em bitcoins. Os bitcoins são uma espécie de “moeda digital” – somente podem ser usados em compra na internet, mas são comprados com dinheiro de verdade e, por isso, tem valor mensurável em reais ou dólares.

Estimativas de quarta-feira (16) eram de que mais de 100 mil vítimas em quase 100 países, incluindo o Brasil, foram afetadas diretamente pela praga digital.

Em vários locais do mundo, quem não tinha cópia dos arquivos tiveram duas alternativas: ou o usuário acessa um site na chamada ‘DeepWeb’ (uma parte da internet que não é acessada por mecanismos de busca comuns, como o Google) para pagar o resgate em bitcoins, cujo valor pode passar dos R$ 2 mil, ou o usuário perderia os arquivos. Especialistas indicam que a melhor solução é justamente ter o chamado backup periódico dos documentos fora do computador – que, assim, não têm risco de contaminação via internet.

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Denny Siviero

denny@tribunadopovo.com.br