Araras, 18 de dezembro de 2017

            Acredite se quiser. Naquela época, Araras era cidade pequena, o progresso ainda não havia chegado, as ruas não eram asfaltadas, iluminação precária, pouca...
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            Acredite se quiser. Naquela época, Araras era cidade pequena, o progresso ainda não havia chegado, as ruas não eram asfaltadas, iluminação precária, pouca água encanada. Iniciavam-se os trabalhos de abrir as valas no meio da rua, para implantar o sistema de rede de esgoto. Era, portanto, o começo do progresso de Araras, vindo a ser mais tarde a cidade de “Mais Progresso do Brasil”.

            Pois bem, a maior parte dos garotos e também muitos jovens jogavam futebol nas ruas da cidade, levantando aquele poeirão. Vez outra, num chute mais forte a bola ia beijar as vidraças da casa do vizinho, outras vezes caia no quintal do vizinho, alguns deles não devolviam a bola, alguns muros tinham cacos de vidro em cima, outros eram guardados por cães, mas sempre aparecia um herói que arriscava a proeza de ir buscar a bola. Essas bolas geralmente eram feitas com retalhos de panos, colocados dentro de uma meia, outras eram de capotão e até uma ou outra de borracha.

            Nosso campeão que homenageamos hoje viveu essa aventura na sua juventude. Seu nome, Eolo Camargo Preto Jr, o grande e sempre lembrado Eolinho. Naquela época tinha na cidade um time de futebol com o nome de Corinthinha Ararense, também orientado por Armando Giacomini, e o Eolinho ia se despontando nesse time.

            É bom recordar que o Operário FC tinha, naquela época, um bom time na categoria infantil, cujo o técnico era o senhor Guerino Bargeri, tinha a cara de bravo, usava uma varinha de marmelo nas mãos, e ai daqueles que não obedeciam suas ordens. O homem era tão disciplinador que antes do treinamento obrigada todos a limparem o gramado e arrancar as plantas daninhas. Vez outra, alguns reclamavam, e seu Guerino corria atrás deles e a varinha cantava nas pernas… Era divertido.

            Pois bem, o Eolinho jogou uma temporada no infantil do Operário FC e logo foi para o Comercial FC. Em 1949/50 tomava parte nesse time: Chile, Cláudio, Ozza, Lote, Caninana, Piano, João Mazon, Eolinho, Jader (Caruncho), Flavio Batistella e Nando. Era praticamente na mesma épóca quando José Alberto Rodini começava a dirigir o Comercial, sacudindo todos os setores comercialinos.

            Sem dúvida, uma carreira maravilhosa teve Eolinho, inúmeras vezes campeão da cidade. Em 1949, campeão do Setor 15, campeão da Zona 6ª e 4º colocado do interior; em 1953, bicampeão amador da Zona 13ª; em 1955, 56, 57 foi campeão amador do Setor 24 e muitos outros títulos que enriqueceram o patrimônio esportivo da cidade.

            Vamos juntos recordar a grande decisão do Setor 24 de 1957, 60 anos já são passados. O jogo foi na cidade de Leme, com o estádio municipal lemense totalmente lotado. Frente a frente dois gigantes, de um lado o Comercial FC de Araras, e do outro o terrível CAP de Pirassununga. Final do embate, vitória espetacular do Comercial por 4 x 2, e Eolinho, numa tarde inspirada, realizando uma de suas melhores partidas, marcou 3 tentos, cabendo a Baltazar anotar o 4º.

            Foi um verdadeiro carnaval, lágrimas, sorrisos, emoções dentro e fora de campo, festa na cidade, pois o Comercial nesse dia era Araras. Na volta, mais festa, carros buzinando, rojões explodiam nos ares. Sessenta anos são passados, jamais poderemos esquecer desse feito, bravos jogadores que escreveram com letras de ouro essa página esportiva de nossa cidade. Para homenagear esse campeão Eolinho, eis o timão: Ismael, Zulu, Emerson, Basílio, Mossoró, Note, Bastião, Zinho, Eolinho, Baltazar e Otavinho.

            Em vida, Eolinho defendeu também o Rio Claro FC, Internacional de Limeira, Associação Atlética Ararense e Usina São João. Diversas vezes recebi a visita do Eolinho e sempre recordava fatos interessantes. Contava de um gol histórico contra a Ararense, quando, na saída da bola, já no início da partida, o Mossoró atrasou a bola para o Note, ele lançou em profundidade na área da Ararense, ele dominou e marcou o único tento do jogo e da vitória do Comercial. “Outra vez, Walter, foi contra o Verdão do Engenho Grande, acho que já eram jogados uns 20 minutos, o Otavinho cruzou uma bola, eu antecipei o grande Joãozinho Dadona, e mandei de pé direito a deusa branca para o fundo das redes, marcando o 1º gol da vitória do Comercial”, comentou Eolinho, numa das conversas que tive com ele.

            “Aliás, amigo Walter, eu marquei muitos gols importantes na minha carreira, por exemplo, contra o CAP, no campo do Lemense, eu marquei 3 tentos e saímos de lá campeões, eu fui carregado pela torcida e chorei de emoção”, disse. Esse grande jogador da história de um campeão do futebol ararense veio a falecer em 10 de maio de 2005. Ao grande Eolinho, as homenagens em nosso Cantinho de Saudades.

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Walter Gambini