Araras, 19 de setembro de 2017

            No futebol ararense do passado havia rivalidade com as agremiações regionais, nos embates contra o Azulão do EC Lemense, contra o terrível CAP...
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            No futebol ararense do passado havia rivalidade com as agremiações regionais, nos embates contra o Azulão do EC Lemense, contra o terrível CAP de Pirassununga, Velo Clube e Rio Claro FC, entre outros, mas o “pega fogo” mesmo era aqui na cidade. A tabela saía da Gráfica Odeon, e quando começava a ser distribuída, a primeira coisa que o torcedor procurava era a data do jogo da Associação Atlética Ararense com o Comercial FC, ou EC Circulista com a SE Cruzeiro, que também proporcionavam rivalidades entre si.

            A cidade ficava dividida, havia um personagem muito querido, o Zé Gostoso, que em cima de um caminhão fazia a propaganda do jogo: “Alô dona Maria, domingo tem futebol… É um pra cá…é dois pra lá, a Associação vai ganhar”. No domingo, dia do jogo, os estádios engalanados com suas bandeiras coloridas ficavam tomados por torcedores que vibravam até com as partidas preliminares. Sem medo de errar, um derby daquele tempo, nos dias de hoje, levaria de 15 mil a 20 mil torcedores tranquilo para os estádios.

            As duas diretorias dos clubes procuravam reforços como atrações. Assim aconteceu com o nosso campeão que homenageamos hoje, o qual tive a satisfação de, em vida, visitá-lo em sua casa, no dia 22 de fevereiro de 2000, e bater um gostoso papo descontraído. Seu nome, Antonio Joaquim, o popular Caieira.

            O moço que veio de Cravinho para substituir Danilo. Por que Caieira? É que naquele tempo o Palmeiras tinha um jogador que chamava Caieira (Oberdan, Caieira e Junqueira). Tudo começou com o saudoso Armando Lagazzi, por meio do seu comércio de sacarias. Como era um dos diretores da Ararense, fez-lhe um convite para treinar no Mais Querido e jogou contra o Rio Claro. O moço agradou a todos e foi procurado para assinar contrato.

            Um dos diretores da Ararense, Sidney Colombini, foi até Cravinhos e adquiriu seu passe pelo valor na época de cinco mil reais. Caieira iniciou sua carreira na várzea, foi para o amador e chegou ao profissionalismo defendendo o Botafogo de Ribeirão Preto, CA Cravinhos e Associação Atlética Ararense, encerrando sua carreira no EC Circulista, sempre jogando de lateral direita, explorando sua velocidade com cruzamentos perfeitos para os atacantes balançarem as redes.

            Em 1950, a AAA foi derrotada em pleno Estádio São Joaquim pelo Rio Claro, por 2 x 1, jogando com Salvador, Caieira, Tito, Balotim, Nelson, Alfredão, Peru, Irineu, Lelio, Elson e Lima. Tomou parte em grandes times de futebol, mas um que ficou gravado na sua memória foi de 1961: Salvador, Caieira, Tito, Alfredo, Basílio, Saíto, Baeta, Chopp, Tonetti, Elcio e Liminha.

            Sempre nos dizia que, jogando pela Ararense, nunca perdeu para o Comercial FC. Em 22 de julho de 2000, ao fazer uma visita ao Velório, ao chegar no local fui apanhado de surpresa, quando em uma das salas notei a bandeira da AA Ararense e o amigo Eloi Dias, pensativo. Lá estava o corpo de Antonio Joaquim, o popular Caieira.

            A esse grande campeão, as homenagens em nosso Cantinho de Saudade.

 

Recordação

            A Associação Atlética Ararense, em toda sua história, sempre teve excelente plantel de futebol em todas as categorias. Em vista disso, o público comparecia em seus jogos para ver um futebol alegre, futebol conjunto refinado, principalmente observar futuros talentos que surgiam.

            Na década de 1960 tínhamos um timaço, categoria juvenil, que na verdade era um elenco amador, uma máquina de jogar futebol, que enchia os olhos dos torcedores. Trata-se do time da AAA de 1960, formado por Laércio, Professor, De Sordi, Zanela, Luizinho, João Tiritili, Américo, Cidico, Brina, Cerrinha e Cascata. O diretor era o  João Garcia.

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Walter Gambini