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Segurança

Equipamentos encontrados no local onde funcionava o serviço clandestino
Polícia Civil de Araras

18/03/2010 05h00

Linhas clonadas em central clandestina seriam ‘de fora’

Ana Maria Devides
anadevides@tribunadopovo.com.br

As cerca de mil linhas telefônicas que teriam sido clonadas por uma central clandestina descoberta em Araras na última terça-feira seriam "na maioria de cidades da região", segundo disse acreditar a Polícia Civil de Araras. Um homem de 37 anos, Alfeu Basílio Siqueira foi preso em flagrante, suspeito de operar a central clandestina. Os números clonados pertenceriam em quase todos os casos a clientes da Telefonica de outros municípios, de acordo com o delegado Alexandre Socolowski.

A central funcionava num apartamento na rua Senador Lacerda Franco, no Centro. No local, onde a Polícia Militar chegou primeiro graças a uma denúncia anônima, foram encontrados vários equipamentos que seriam usados para a clonagem de linhas. Alguns dos aparelhos conhecidos como ‘centrais’ seriam de uso exclusivo da Telefonica.

Segundo Socolowski no momento em que os policiais chegaram ao apartamento, havia nove linhas clonadas sendo utilizadas. "Uma era de Araras", disse o delegado, e as demais de outros municípios. Mas a estrutura montada no local comportaria dezenas de linhas.

Um técnico em segurança que já teria sido prestador de serviços para companhias de telefonia esteve no local a pedido da polícia e explicou o funcionamento do sistema, classificado por ele como o "maior do interior" desse tipo e responsável por um prejuízo de mais de R$ 2 milhões á concessionária Telefonica.

Segundo o técnico o operador da central recebia ligações de pessoas e empresas que pagavam (valores bem mais baixos do que os oficiais) para usar o serviço clandestino e diziam para onde queriam fazer um telefonema, em geral internacional ou mesmo nacional de longa distância. O operador do sistema então direcionaria a ligação do "cliente" para um dos aparelhos que completava o contato usando uma linha clonada. O valor correto dessa ligação apareceria na fatura oficial de telefone do consumidor proprietário.

"As pessoas que recebem as contas com valores exorbitantes, totalmente fora dos seus padrões de uso dos serviços têm procurado a Telefonica e esta, como faz o monitoramento e sabe quando o gasto não é compatível com aquele cliente dela, tem tomado medidas para bloquear a clonagem ou a linha e tem arcado com o prejuízo" disse Socolowski.

Funcionário da Telefonica?

Siqueira teria dito à polícia que já trabalhou na Telefonica – inclusive na época em que ainda era a antiga Telesp (Telecomunicações de São Paulo S/A), mas a Telefonica negou a informação. Segundo nota distribuída pela concessionária, "a pessoa mencionada pela reportagem não é e nunca foi funcionário da Telefonica nem de suas contratadas e subcontratadas".

Socolowski afirma que para fazer o sistema funcionar, Siqueira estaria usando um programa de computador privativo da Telefonica. "Ele tinha total conhecimento do software e digitava nesse programa um código específico das linhas para fazer a clonagem", disse o delegado.

Siqueira teria dito em seu depoimento à polícia civil que não era responsável pela comercialização do serviço clandestino, mas sim por disponibilizar as linhas clonadas e manter o sistema funcionando. O ‘dono’ do serviço seria um homem de nome Jorge, do estado de Minas Gerais.

O delegado afirmou que ainda não tem condições de dizer que pessoas e empresas eram clientes da central clandestina. Além de Siqueira havia uma mulher no apartamento mas ela foi liberada após ser ouvida pela Polícia pois disse que era apenas ‘secretária’ e desconhecia o tipo de serviço prestado no local.

A Telefonica foi procurada via e-mail pela reportagem mas, embora questionada com várias perguntas técnicas, não deu qualquer informação além da negativa de que Siqueira teria sido seu funcionário.

Siqueira, que tem passagem anterior por estelionato, foi indiciado em flagrante pelo artigo parágrafo 3o do 155 do Código Penal, que trata de furto de energia ou qualquer outro serviço dessa natureza, como telefonia. A pena prevista é de um a quatro anos de reclusão. Ele foi mandado para a Cadeia de Pirassununga. Todos os equipamentos foram apreendidos e encaminhados ontem para o Instituto de Criminalística, onde seriam periciados.

Vítimas recentes na região

Em Boa Esperança do Sul, cidade na região de Araraquara, várias pessoas se disseram vítimas de clonagem de linha telefônica. Os casos vieram a público em setembro do ano passado. Segundo a Agência Eptv, na cidade, 11 pessoas procuraram a polícia em 15 dias para registrar boletim de ocorrência.

Conforme a Eptv, a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicaçõesl) recebeu de janeiro a agosto de 2009, 253 reclamações de clonagem somente no estado de São Paulo. "Em uma casa da cidade, por exemplo, três pessoas que costumavam gastar menos de R$100 por mês de telefone, receberam, em setembro, uma conta de mais de R$ 1,4 mil. "A gente esperava que a conta viesse mais barata, porque a Telefônica cancelou um plano. Mas vieram 210 ligações para celular", explicou o jornalista Willian de Oliveira.

A família diz que não fez as ligações. O telefone funciona pelo sistema via rádio e em cada casa existe uma caixa com um número de série da linha. "Uma pessoa ligou e pediu o número. E a partir daí a gente não conseguiu mais fazer ligações", disse Oliveira. A Telefônica informou a Eptv na ocasião que já tinha enviado a segunda via com o valor corrigido.

Ainda conforme a reportagem da Eptv,"Na delegacia (de Boa Esperança), uma dona –de-casa explicou que na conta dela estão ligações para outros países e um valor de quase R$ 6 mil para pagar. Ela disse que nunca fez esse tipo de ligação". O delegado de Boa Esperança Ricardo Farah investiga os casos. (Com informações da Eptv)


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