11/03/2010 11h05
Outros tempos
Jornal Tribuna do Povo
reportagem@tribunadopovo.com.br
O desfecho do caso Pedrinho/Agnaldo no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), que negou recurso contra a cassação do registro de candidatura do prefeito e vice eleitos em 2008, dividiu a cidade entre os que torciam pela volta de Pedrinho ao cargo e os que desejavam sua derrota na mais alta corte da Justiça Eleitoral do País.
Depois de uma lenta agonia, que atravessou 17 meses após as eleições de 2008, a decisão do TSE abre a perspectiva inédita de um novo pleito fora de época em Araras. Mas não é só isso. O fato, histórico e traumático, obriga eleitores e políticos a uma profunda reflexão sobre os novos tempos que vivemos no que se refere a processos eleitorais.
Até hoje o que temos visto nesse campo são políticos flanando sobre exigências legais sem contudo cumpri-las à risca. Campanhas custam fortunas em geral subestimadas em prestações de contas à Justiça Eleitoral. Papel, como se sabe, aceita tudo.
Acordos subterrâneos feitos por políticos já eleitos vêm à tona, como temos visto na mídia nacional. E só à custa de muita cobrança, da sociedade e da imprensa, geram algum tipo de punição. O teatro em torno dos processos eleitorais é tamanho que se torna plausível pensar que se for feita uma devassa nas contas prestadas por todos os políticos eleitos, a imensa maioria corre o risco de perder os mandatos.
Sem entrarmos no mérito de Pedrinho e Agnaldo terem ou não cometido crimes eleitorais, questão já analisada por três instâncias judiciais, ao menos no que se refere às estratégias de marketing e comunicação política as coisas mudaram, e muito. A interpretação da lei eleitoral nos tribunais demonstrou não permitir mais que os políticos manipulem impunemente os canais de comunicação com o povo. Podem até manipular, mas terão de enfrentar duríssimos questionamentos depois, correndo o risco de perderem, sim, o mandato conquistado nas urnas, se a Justiça entender que, para isso, tenham lançado mão de ilegalidades.
Sobram lições a quem estiver disposto a aprendê-las. Aos políticos, que devem ser claros, precisos e observadores da lei ao se depararem com “apoios” recebidos de forma exacerbada, ostensiva e, inevitavelmente, passível de punição legal: não vale silenciar diante do abuso e depois dizer-se inocente e vítima. Pois a Justiça mostrou que nesses casos, pode entender que quem cala, consente. E eventualmente orienta ou até mesmo patrocina.
Ao eleitor fica a lição de que ele precisa aprender a selecionar as informações desconfiando daqueles veículos que só atacam ou só elogiam este ou aquele grupo. E à imprensa, que como bem disse um dos ministros do TSE, deve sim exercer sua liberdade mas não tem alvará para praticar abusos.
Uma boa chance para avaliarmos se essas lições estão ou não sendo aprendidas pode se apresentar daqui a pouco tempo, se a cidade tiver nova eleição para prefeito. Vai ser interessante e construtivo ver que comportamento teremos todos – candidatos, eleitores, meios de comunicação e Justiça. E vai ser mais construtivo ainda se todos se comportarem com bom senso. Vamos virar essa página triste e vergonhosa da história política de Araras, de uma vez por todas.
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