13/03/2010 05h00
Espetáculo de democracia ou show de interesses?
Jornal Tribuna do Povo
reportagem@tribunadopovo.com.br
Nem bem correram prazos e cumpriram-se formalizações jurídicas e burocráticas sobre a cassação de Pedrinho Eliseu (DEM) no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e já pululam pela cidade os claros sinais que apontam: podem vir por aí conchavos políticos dos mais surpreendentes, do tipo que fazem ferrenhos adversários virarem da noite para o dia os mais novos amigos de infância.
Embora o momento ainda seja de incerteza, já que ninguém abre claramente qual será seu próximo movimento, há boa chance de que a cidade passe por nova eleição municipal com três candidatos no páreo. E, sustentando as candidaturas, aparecerão blocos formados por grupos políticos que têm na ponta da língua um discurso muito bonito: “os interesses da cidade”. No entanto, não será bem assim, caro leitor, que as coisas funcionarão no caso de os ararenses terem de ir às urnas novamente.
Os “interesses da cidade” serão defendidos nas coligações e acordos políticos à medida que atenderem outros interesses bem menos, digamos, abrangentes. Como tem ocorrido desde sempre entre a maioria dos nossos homens públicos, pesarão, e muito, as conveniências de cada um dos mais influentes integrantes de cada partido.
Conveniências, nesses casos, já se conhece bem quais são geralmente e giram em torno do loteamento, em maior ou menor escala, dos cargos comissionados disponíveis em uma futura administração.
Esse critério, invariavelmente dominante nos processos político-eleitorais, com freqüência descambam para a formação de verdadeiros ‘monstrengos administrativos’ concebidos após as eleições.
Desafetos se encontram nas mesmas fileiras deste ou daquele nome, todos empurrando a mesma candidatura que, se for vitoriosa, garantirá espaço no poder para quem ajudou na empreitada eleitoral. Depois, na ginástica para acomodar os ‘correligionários’, os eleitos acabam colocando num mesmo departamento pessoas que mal conseguem se cumprimentar, quanto muito serem subordinadas umas às outras. E a administração pública acaba perdendo muito de sua capacidade de resolver os problemas da população.
Os conchavos já estão sendo preparados. Mais alguns dias e eles ganharão as ruas e a mídia. Até agora, pelo que se vê em notícias e conversas, já dá para saber que de verdade, de verdade mesmo, não mudará muita coisa na política local.
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