Liw termina um de seus painéis na região central
Renata Meneghin/Tribuna
24/07/2010 11h17
Grafiteiro tem 22 painéis espalhados pelas ruas da cidade
Renata Meneghin
renata@tribunadopovo.com.br
Na identidade, é Bruno Cardoso da Silva, mas isso fica mais restrito ao círculo familiar e aos amigos mais próximos.
Nas ruas, ele é conhecido mesmo como Liw, nome que escolheu para batizar seus personagens e acabou adotando meio que acidentalmente.
Há seis meses, os trabalhos do rapaz começaram a colorir tapumes de construção e imóveis abandonados de Araras. Hoje, já são 22 grafites feitos à mão, com pincel e tinta látex - material que ele carrega na mochila.
A pintura é realizada durante o dia e, segundo Liw, com autorização dos proprietários ou operários que trabalham nas obras.
“Sempre pergunto se posso grafitar, antes de começar. Se o local está abandonado, procuro os vizinhos mais próximos”, comenta.
O rapaz conta que já gostava de desenhar desde criança, mas só há dois anos passou a levar suas obras para as ruas inicialmente de Limeira, onde morava com a família, e depois para as de Araras.
Os desenhos, no entanto, não costumam ficar muito tempo em exposição, já que estão em locais sujeitos a serem destruídos a qualquer momento.
“Isso não me incomoda, muito pelo contrário. Não gosto de trabalhos que ficam por muito tempo nas ruas. Pra mim, o que vale é a satisfação pessoal e poder passar minha mensagem”, explica o rapaz que tem 18 anos.
Todo trabalho, aliás, fala muito sobre o grafiteiro, embora nem sempre as mensagens sejam tão óbvias ou fáceis de serem decifradas. Nos desenhos, segundo ele, são abordados temas como religião, o contraste entre o bem e o mal, entre outros.
“Uso cores que, para mim, representam a paz (branco), a neutralidade (azul) e a maldade (preto). Cada painel tem um significado próprio e leva influências que fui coletando de outros artistas e grafiteiros”, esclarece.
Recentemente, ele passou a contar com patrocínio da agência de comunicação visual Picasso, onde trabalha.
Grafite x pichação
Com estilo inconfundível, Liw também não costuma grafitar em locais que já estão pichados. “Para algumas pessoas, os dois tipos de trabalho podem ser vistos como arte de rua, mesmo tendo origem e finalidade diferentes. Acho que cada um tem seu espaço e procuro respeitar isso”, disse.
Para ele, no caso do grafite, a rua acaba funcionando como uma espécie de galeria de arte ao ar livre. “Mas ainda há preconceito com relação a isso”, desabafa.
Em metrópoles como São Paulo, por exemplo, o grafite é encarado como arte, colorindo viadutos e muitas vezes até prédios públicos com autorização da Prefeitura. Recentemente, ele também vem ganhando espaço e exposições em museus e galerias de arte propriamente ditas.
Os desenhos também são uma das vertentes do movimento hip hop, ao lado do rap e do break. “O grafite tem que ser valorizado porque é realmente uma arte”, comenta Luciano Borges, conhecido como dj Buiu e um dos representantes do movimento na cidade.
Ele lamenta, porém, que a cidade vem sendo alvo constante de pichações e que isso pode interferir na maneira com que as pessoas encaram o grafite. “Tem uma diferença grande entre os dois e eles não podem ser confundidos. O grafite é arte visual; a pichação, não”, completa.
Polêmicas à parte, as ruas da cidade vêm recebendo esses dois tipos de manifestação já há alguns meses.
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