2012 foi o pior ano da década para empregos em Araras

 

 

O emprego recuou em Araras, em 2012, de forma surpreendente, pela primeira vez em uma década. Desde 2003, quando o Ministério do Trabalho começou a divulgar os dados do Caged (Cadastro Nacional de Empregados e Desempregados), a cidade nunca tinha ficado com saldo negativo anual de vagas de trabalho.

No ano passado, no entanto, a situação mudou – e para pior – graças aos péssimos números de dezembro: conforme o relatório Caged divulgado ontem em Brasília, 1.060 pessoas foram contratadas para trabalhar em Araras, mas em compensação, 2.582 foram demitidas no mesmo período. O saldo negativo de empregos no mês foi de 1.522 postos cortados, resultando numa queda de 4,22% no estoque de empregos com carteira assinada existentes até novembro. Só a indústria de transformação de Araras cortou 996 vagas em dezembro, já descontadas todas as contratações do período.

Os dados de dezembro são tão ruins diante das sequencias históricas anteriores, que inverteram a trajetória de crescimento contínuo que vinha sendo registrado até então: Araras fechou 2012 com 308 empregos a menos em relação a 2011. Um recuo de 0,88%. É um desfecho de ano muito diferente do registrado em dezembro de 2011, quando Araras fechava o ano com 2.249 novos empregos e avanço de 6,77% em relação a 2010.

O tombo de 0,88% em 2012 pode parecer leve em termos relativos mas, quando se olha os setores que mais encolheram em empregos no ano passado, tem-se outra surpresa desagradável: o setor de serviços, que em todo o País e na região vem crescendo, amargou um déficit de 191 vagas no ano. Outras 154 vagas foram cortadas no ano passado inteiro na indústria local. E a agricultura foi, de longe, o setor que mais encolheu em termos de geração de empregos: 378 postos cortados no ano.

Em toda a região, a situação só foi pior em Pirassununga, onde o emprego recuou 8,88% em dezembro e, em todo o ano passado, recuou 5,65%.

Já nas demais cidades tradicionalmente pesquisadas pela Tribuna, as “vizinhas”, o emprego caiu em dezembro mas no ano de 2012 elas ficaram positivas, ou seja, fecharam no ano com mais empregos em relação a 2011. Veja os números detalhados em quadros nesta página.

 

Que indústrias demitiram tanto?

Dois dos principais sindicatos de trabalhadores da indústria em Araras foram procurados ontem pela reportagem, que buscava explicações para as quase mil vagas cortadas na industria local. Nenhum deles disse ter registrado em seus respectivos segmentos, qualquer movimento atípico que pudesse ser classificado como demissão em massa.

No Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Alimentação, o presidente Élio Ramos Costa disse que “cerca de 100 trabalhadores das usinas locais, que não trabalham no campo mas sim são enquadrados no setor de indústria (açúcar) foram dispensados, em atos que precisaram passar pelo sindicato”. É que os trabalhadores com menos de um ano de casa fazem a rescisão na própria empresa.

Já no Sindicato dos Metalúrgicos, Edson Leles dos Santos também afirmou que o movimento de rescisões foi normal. “Cerca de 70 dispensas, no máximo, ocorreram em dezembro”, estimou ele.

Pessoas que conhecem mais a fundo o setor industrial das usinas de açúcar e álcool locais, no entanto, afirmaram, sem autorizar a citação de seus nomes, que de fato funcionários dessa área (dentro das empresas, na produção) com poucos meses de casa, podem ter sido contratados apenas para suprir a demanda da safra encerrada em dezembro, sendo dispensados no mês passado.

 

Economista comenta

Para o economista ararense Ricardo Buso, o recuo do emprego na agricultura está ligado a fatores como aumento da produtividade e aporte de novas tecnologias á produção. “As empresas do ramo estão produzindo mais com menos, inclusive menos pessoas e mais equipamentos”, diz ele.

Quanto ao setor de serviços, que Buso periodicamente sempre apontou como deficitário em Araras em termos de empregos, o economista manteve a análise. “Araras tem esse traço realmente. Enquanto os setor de serviços é a vedete da criação de empregos no País e mesmo em cidades da região, por aqui é bastante tímido”, avalia.

Quando se compara o desempenho de cidades como Limeira e Rio Claro, por exemplo, na criação de empregos em 2012, nota-se que ambas devem os bons resultados justamente ao setor de serviços e são, as duas, responsáveis por inaugurações e ampliações de shoppings centers, por exemplo.

Em âmbito nacional, o Ministério do Trabalho informou que em 2012 foram criados 1,3 milhão de empregos em 2012, resultando num crescimento líquido de 3,43% em relação ao ano anterior. (Ana Maria Devides)

Veja como vinham sendo os anos anteriores para o emprego local

Ano     Vagas a mais criadas            Evolução percentual no ano

2003    +532 vagas            +2,28%

2004    +3.331 vagas            +15,01%

2005    +673 vagas            +2,69%

2006    +590 vagas            +2,25%

2007    + 2.557 vagas            +9,47%

2008    + 2.039 vagas  + 6,92%

2009    + 516 vagas              +1,70%

2010    +2.153 vagas            +6,99%

2011    +2.249 vagas            +6,77%

2012   -308 vagas  -0,88%

Fonte: Caged/Ministério do Trabalho

 

 

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Por em 26 de janeiro de 2013. Arquivado em Cidade,Manchete. Você pode acompanhar quaisquer respostas a esta notícia através do RSS 2.0. Both comments and pings are currently closed.

3 Comentários

  1. Rogerio moreira rodrigues disse:

    hoje e muito dificil morar em uma cidade controlada por pessoas que so pensam nelas,onde vivem como na epoca dos coroneis onde so pode entrar empresas que esta no esquema deles,que pagam salario de fome nao tem sindicato,preciso viajar 80 km para trabalhar, e uma pena, araras nao merece essas pessoas

  2. Trabalhador ararense disse:

    Porquê será que ja faz muito tempo que não vemos uma empresa de garnde porte em Araras? Dizem por ai que existe um certo “acordo” entre as grandes empresas existentes na cidades e prefeitura!
    Pois dessa forma as empresas estariam abastecidas de mão de obra qualificada, não precisando garimpar por melhor salário.
    Enquanto isso nos últimos 10 anos Araras que vem crescendo e sua população fica sem novas oportunidades para suprir a demanda. Ao contrário das outras cidades ao entorno da região.
    Ou vai dizer que uma cidade como a nossa, muito bem localizada logisticamente, com espaço fabril de sobra não é procurada por grandes empresas?

  3. Denis Godoy disse:

    Trabalhei por três anos em uma multinacional do ramo alimentício na cidade. Apesar de todos os meus anos de experiência, de minhas recomendações e todas minhas especializações, só fui conseguir trabalho em Rio Claro.
    Uma vergonha para cidade, seus cidadãos terem que mendigar vagas em outras cidades.
    Estou muito bem onde trabalho, com salário superior ao de Araras e uma estabilidade aceitável.
    Será que há um acordo entre os grandes empresários e nossa administração pública? Não sei! Mas uma coisa me faz pensar: onde estão os desempregados mostrados como “negativos” nesta reportagem?